segunda-feira, novembro 13, 2006

A Autoridade

Ora aí temos uma boa deixa para falar sobre a autoridade.
Num ambiente de liderança sólida e saudável a autoridade não é imposta mas sim reconhecida.
Já todos nos deparamos com foliões fardados de polícias por alturas do Carnaval, e certamente que nessa quadra já alguns polícias foram desrespeitados por cidadãos que os tomaram por foliões.
Da mesma maneira, quem temos à frente da Câmara Municipal são pessoas disfarçadas de líderes.
Como a liderança não é sólida, por falta de credibilidade e acima de tudo da grandeza que só os líderes têm, também não reconhecida. Não é inata.
Os sintomas de falta de autoridade são as conversas pelas costas, as risotas depois da porta se fechar, a chacota geral em que os visados nunca estão presentes, entre muitas outras manifestações.
Por terem consciência que a autoridade que têm não lhes é reconhecida espontaneamente, de vez em quando, como se de uma cerimónia se tratasse, têm de ritualizar a autoridade imposta. Nesta liturgia celebrada em alta voz, mais que o que é dito, importam as mensagens subliminares dirigidas aos visados e aos presentes não directamente visados. Mas a mensagem mais importante é para si próprios. O protocolo do ‘dar nas orelhas’ serve acima de tudo para inflamar a consciência de si próprio do seu protagonista.
Como quem tenta colar uma peça de cristal com fita cola, por vezes estes episódios são seguidos de um sentido e profundo pedido de desculpas. Quem o pede, só o faz por ter consciência que partiu o cristal e quem o ouve pode até garantir que este ficou bem colado. Mas sabemos bem que o cristal partido não tem reparação. Não são as primeiras fracturas e com o tempo outras peças serão fracturadas e pouco a pouco, haverá mais fita cola que o cristal.
Há uma expressão popular adequada: estalou o verniz. São nestas cerimónias que se vê o que está para além daquilo que querem aparentar. E que feios são sem estarem envernizados. E depois próxima camada, haverá certamente alguém que ache, que ainda ficaram mais feios.
É isto que temos à frente da Câmara Municipal.
Em próximas eleições autárquicas, quando os virmos a distribuir apertos de mãos e sorrisos nas saídas de missa, lembremo-nos destes episódios.