terça-feira, agosto 22, 2006

Variantes, variações a avarias

A abertura de auto-estradas, vias rápidas, linhas de comboio assim como de outras estruturas viárias que passem dentro de povoações sem as servir, é sempre uma intrusão mais ou menos violenta sobre a qualidade de vida da sua população. Nesse sentido, qualquer político que se associe a este tipo de investimento, tem a sua imagem sempre prejudicada perante esses eleitores.
A forma como se enfrenta a impopularidade local resultante deste tipo de investimento é um indicador da determinação de quem a decide e que mais tarde se sujeitará à avaliação eleitoral.
Exige-se capacidade de avaliar os custos locais e individuais perante os benefícios da sociedade.
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Todos quantos acompanham o dia à dia do nosso concelho lembrar-se-ão da intervenção de um conceituado advogado portomosense numa Assembleia Municipal ainda no mandato do Dr. José Ferreira. Este advogado utilizou a sua apurada retórica numa perfomance invulgar em tal espaço, na defesa dos seus interesses, e por arrasto também os dos seus vizinhos. Tentava ali travar a construção da mal afamada variante de Porto de Mós. O impacto desta nos seus terrenos e habitação seria prejudicial em termos de ruído, impacto visual assim como no potencial imobiliário. Como advogado que é apresentou muitos outros argumentos e não esses.
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Sempre que a classe política é confrontada com este tipo de obras e lhe falta a tal determinação e discernimento para avaliar os benefícios comuns vs os prejuízos particulares, recorre frequentemente a estudos e sondagens de opiniões. Estas destinam-se apenas a avaliar o impacto negativo na sua imagem eleitoral. Quando não há muita reação e o estudo 'imparcial' é favorável avança-se.
Assim, perante os descontentes, ‘sacode-se a água do capote’ e escuda-se do ónus da decisão. Na cabeça de quem foi prejudicado, o ‘mau da fita’ passa a ser o dito estudo, aliviando assim as costas do decisor.
Quanto menor for a dimensão política do referido decisor mais facilmente se entra neste tipo de esquemas.
A má imagem da classe política em geral resulta da percepção por parte da sociedade da indisponibilidade dos eleitos em assumir os riscos de algumas decisões com vista ao benefício comum. Estão sempre muito mais preocupados com a sua imagem pública.
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Além da escolha do traçado da variante, há outros factos que marcam o relacionamento entre este proprietário e o executivo.
Por um lado existem uns terrenos adquiridos pela Câmara ao referido advogado cuja forma e prazo de pagamento foi decidida durante os mais recentes episódios da escolha do traçado da ex-futura variante.
Por outro lado, coincidência ou não, durante os mesmos capítulos dessa novela, uma ex-estagiária foi admitida num escritório de advocacia. Esta ex-estagiária é filha de um Vice Presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós (cuja identidade, por motivos óbvios o cilício não revela).
Perante tal emaranhado de interesses e benefícios, a solução cozinhada pela rapaziada passou por misturar todos os argumentos a favor e contra cada uma das opções, e levar o debate até à exaustão. A ou B, B ou A, AB, BA, AB, ABC, quem ainda se lembra da opinião de salgueiro sobre isto há um ano? Nem ele próprio...
As vantagens desta estratégia ter-se-ão tornado claras na chamada sessão de esclarecimento no cine-teatro.
O sentido de sobrevivência política de joão salgueiro avisou-o que deixando avançar qualquer uma das alternativas sairia ‘queimado’ perante os seus eleitores. Dessa forma trairia o seu slogan de campanha. Para alguém salgueiro seria Não... isso é que nem pensar. A obra tinha de ser travada.
Para terminar o arranjo só faltava um bode expiatório. E isso é uma tarefa menor para a criatividade de salgueiro.
Durante uma alegada deslocação a Lisboa junto do poder central, onde se gaba de ter entrada pela porta principal (ou não tivesse sido ele eleito pelo mesmo partido que o governo), salgueiro lá se lembrou de inventar uma visita de um autarca com uma terceira proposta.
Essa invenção foi lançada na imprensa como a explicação última para não existir obra e depois disso nada foi feito. O assunto quase morreu.
Não morreu porque, um pedido de esclarecimento por escrito ao Ministro das Obras Públicas feito por um deputado eleito por Leiria, sobre a veracidade da visita de um autarca com a terceira proposta de traçado mereceu um desmentido por escrito de tal fábula.
Pouco a pouco também os seus colegas do novo partido vão conhecendo a rês.
Contas feitas:
- O referido advogado e os outros proprietários – beneficiaram da não obra
- Vice Presidente – ajudou a carreira da filha
- salgueiro – não incomodou ninguém e ainda se fez de vítima
- Ministério das Obras Públicas - poupou um milhões de €ur
- o futuro do concelho – desde quando isso é prioritário?

sábado, agosto 12, 2006

A mensagem está a passar

O discurso sensibilizado de um Presidente de Junta no último O Portomosense, é a prova definitiva do sucesso da estratégia salgueiro.
Desde a campanha eleitoral que este insiste na mesma tecla.
O Município está de tanga. Não há dinheiro. Estamos à beira da falência. Este mês não sei se consigo pagar os ordenados.
Apesar de todo o drama encenado, é do conhecimento público que os saldos das contas à ordem do Município elevam-se às centenas de milhares de euros.
Mas a mensagem passou.
Leia-se com atenção o que diz este zeloso Presidente da Junta.
em tempo de crise é preferível fazer, no máximo, uma obra de cada vez”. É caso para perguntar: e no mínimo? Quantas?
Segundo o agente infiltrado cilas, este presidente também fez parte do grupo dos ausentes da votação do empréstimo dos 500.000 euros.
Certamente que, tal como Portugal no tempo do Primeiro Ministro Cavaco Silva, é considerado como um Bom Aluno, não aos olhos de Bruxelas mas da gestão salgueirista.
Além da elevada estima e consideração, e das palmadas nas costas que usufruirá por parte do executivo municipal, conseguirá mais algumas contrapartidas?
Perante o cumprimento com o sucesso de tal tarefa, salgueiro tem de lhe dar algum biscoito, que ele agradecerá.
Em votações para futuros orçamentos ou outras irreverências salgueiristas fará certamente parte dos Presidentes de Junta, ditos laranjas, a serem abordados.