quinta-feira, junho 29, 2006

Compadrio pela hora da morte

Porto de Mós voltou a ser notícia. Desta vez por causa de uma tragédia.
Sobre essa tragédia e por respeito às vítimas o cilício não se alongará.
No entanto, tal como aprendemos nos documentários sobre a vida selvagem rodados nas planícies tanzanianas do Serengeti, o fim de uns não é mais que o garante da sobrevivência de outros. A qualidade de um documentário sobre as savanas africanas depende da sua capacidade em transmitir a dignidade na morte. No fim de contas há dignidade na sucessão de vida e de morte. Embora se revista por vezes de uma crueldade dolorosa aos olhos dos humanos, é assim que a vida se mantém e as espécies evoluem.
Tudo isto para dizer que, apesar de ser um negócio reservado para certos estômagos, também existe dignidade na profissão de cangalheiro. Como eles sempre dizem é um trabalho que tem de ser feito.
Esta actividade tem um mercado inesgotável.
Para as agências funerárias haverá sempre alguém para amortalhar, basta pensarmos que só o último ser humano não poderá usufruir de um serviço fúnebre. Até lá, há sempre oportunidades de negócio à espreita.
Por tudo isto, esta actividade passa incólume à crise que nos assola. Para eles, a falta de competitividade e de capacidade de inovação das empresas nacionais não passam de balelas.
Para singrar neste ramo é necessário ter bons contactos em hospitais e bombeiros. São eles que lhes podem identificar os serviços a fazer. Quem for mais rápido a abordar a respectiva família será o melhor sucedido.
Mas regressando às pouco planas planícies portomosenses, será obra do acaso que o serviço de transladação para a Moldávia das vítimas da já referida tragédia tenha sido entregue a um familiar do Presidente da Câmara?
Quem perde tempo a ler este blog até pode pensar: “Oh cilício, não sejas má língua. Alguém tinha de tratar do assunto!
E tem razão. Mas tinha de ser uma funerária de fora do concelho de Porto de Mós? Não há cá quem possa tratar disso?
Recorrendo à sua tremenda criatividade em improvisar respostas, salgueiro até é capaz de se explicar dizendo que a referida funerária foi a escolhida porque ficava mais perto ... da Moldávia.
Mas não, a Maceira fica exactamente no sentido contrário.

2 Comments:

At 3:02 da manhã, Blogger Alcachofra said...

Pelos vistos não conhecem o homem, ele fá isto com a maior naturalidade, sem maldade, perfeitamente normal, ..., tal como o desaparecimento do processo da piscina, ..., é verdade que ninguém faz nada, mas o povo é que decide, mesmo que se venha a transformar num Valentim ou numa Fátima, como decidirá o povo?

 
At 8:36 da manhã, Blogger bambino said...

As crianças das escolas de Porto de Mós andaram a levar dinheiro a pedido dos professores para ajudar na transladação.
O Salgueiro declarou publicamente que era a Câmara que pagava esse serviço.
Para onde é que foi o dinheiro que os putos levaram para a escola?

 

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