terça-feira, fevereiro 21, 2006

Energia nuclear em Portugal

"A questão da energia nuclear tem muitas facetas.

Não tenho ilusões de que, ao falar da energia nuclear do ponto de vista da análise económica, não irei além de uma perspectiva parcial; mas é importante que cada um dê o seu contributo para o debate.

Muitas pessoas têm receio ou mesmo horror a viajar de avião; mas não pensam duas vezes antes de entrar no automóvel. No entanto, seguindo medidas razoáveis de risco médio, o transporte automóvel é bem mais perigoso. Neste sentido, os média não ajudam, por regra dando mais importância aos desastres aéreos esporádicos e menos ao dia-a-dia da morte na estrada.

Algo semelhante acontece com a energia nuclear. Trata-se de uma destas situações em que, com uma probabilidade baixa, se dá um desastre de consequências altamente negativas. Acresce ainda o problema do tratamento de resíduos, cujos custos são difíceis de avaliar. Em suma, não é fácil comparar a energia nuclear com alternativas menos incertas, mesmo que estas tenham um custo ambiental por MWh superior.

Neste sentido, temo que a análise económica tenha um alcance limitado. Mas uma das lições da economia é que o custo relevante na análise de decisão é o custo incremental: quanto é que aumenta o custo se escolhermos a decisão X. Concretamente, ao estimar o custo da energia nuclear em termos de risco ambiental, a questão relevante não é tanto avaliar o risco a que Portugal está sujeito; antes, o que importa é o acréscimo de risco que resulta da criação de centrais em Portugal.

A distinção entre risco e acréscimo de risco não é irrelevante. De facto, mesmo que não construamos nenhuma central, o risco já está aqui, a poucos quilómetros da fronteira. O que eventualmente acontecer nas centrais em Espanha afectará Portugal tanto como Espanha. É evidente que construir centrais em Portugal aumenta o risco de um desastre ecológico. Mas convenhamos que a situação é bastante diferente da construção da primeira central na Península.

Por outras palavras, a ideia de um Portugal livre do nuclear pode ter um grande valor como afirmação política, como questão de princípio. Mas na situação actual, com a capacidade nuclear dos nossos vizinhos, não é uma ideia particularmente consoladora. Essencialmente, já estamos a sofrer grande parte dos custos, nomeadamente em termos de risco ambiental; e quanto a benefícios, nada.

É como juntar o inútil ao desagradável."

Luís Cabral, Diário Económico

sábado, fevereiro 18, 2006

A imprensa é irritante e insolente...

Desta vez Porto de Mós apareceu referenciado na imprensa por um motivo bem positivo que foi a divulgação de um estudo levado a cabo pelo ISCTE. Este estudo compara o desempenho da gestão autárquica na perspectiva da boa aplicação dos fundos públicos.

Os resultados colocam o município em 10º lugar entre os 78 do centro do país. Em termos distritais Porto de Mós aparece em 2º lugar, apenas atrás de Leiria.

Tal estudo foi referido na última Assembleia por um deputado municipal.

Por se basear em dados respeitantes à governação de José Ferreira, joão salgueiro desvalorizou este estudo dizendo que o mesmo valerá o que vale, e acrescentando que ninguém sabe como se chegaram a tais resultados. Parecia que estava a justificar um último lugar...

Tal reacção demonstra o estado de alma com que dirige os destinos do concelho.

Durante os três meses de governação já decorridos, a mensagem que tem repetido inúmeras vezes é que tudo o que ‘herdou’ do seu antecessor foram dívidas e problemas. Notícias como esta contrariam o seu discurso.

Tivesse ele a capacidade de avaliar os benefícios da boa imagem do seu concelho, seja para quem nele reside, seja para quem o observa de fora, e certamente a sua reacção seria diferente.

Pelo contrário, desvalorizando este excelente resultado, mostra que não sabe ganhar.

Se não mudar de postura e rapidamente não estabelecer prioridades será certo que todos teremos a oportunidade de, no futuro, conhecer o seu mau perder.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Já se vêm os resultados da era salgueiro?

Após um estudo sobre a eficiência da despesa municipal, Porto de Mós foi avaliado em 10º lugar entre os 78 Municípios da Região Centro.

A nível distrital ficou em segundo, atrás de Leiria (3º) e à frente da Batalha (12º).

Apesar deste trabalho respeitar a dados recolhidos nos Censos de 2001, salgueiro saberá certamente tirar partido deste resultado.

Provavelmente convocará uma conferência de imprensa onde este assunto será exposto e, ponto a ponto, será explicado que medidas foram tomadas no sentido de assegurar a boa aplicação dos recursos públicos.

Se algum(a) jornalista mais atrevido(a) ou até provocador(a) o questionar como é que este resultado é possível numa Câmara que vive na eminência da penhora das contas da Câmara por parte dos fornecedores, salgueiro do alto a sua imensa cultura democrática, encarregar-se-á de telefonar ao dono/director do respectivo jornal e com o hino da campanha como música de fundo, lembrará que os financiadores e/ou os potenciais clientes não devem ser incomodados...