domingo, agosto 28, 2005

Resposta a um leitor

O cilicio recebeu um mail de um leitor devidamente identificado. Por achar que nos tempos que correm, a resposta é relevante, aqui a publica:

Caro leitor,
Como será do seu conhecimento, o homem e o chimpazé são as únicas espécies cujos lideres não são determinados pelas características fisicas (força, velocidade ou pelo peso/tamanho), e como tal a acção política é algo que faz parte da nossa natureza.
Decorrendo desse aspecto específico não podemos argumentar que fulano ou cicrano é um agarrado ao poder e que o quer manter, ou que o pretende atingir a todo o custo. Todos os intervenientes no processo funcionam dentro da mesma lógica.
Observando a evolução dos comportamentos decorrentes da luta pelo poder ao longo da história, há uma componente que sempre esteve presente e sempre se manterá, que é a avaliação da conduta dos líderes e seus candidatos por parte da opinião pública.
Na idade média o líder impunha-se normalmente pela força e mantinha o respeito pelo medo. Em tempos mais chegados o público foi chamado a participar e a questão da avaliação dos líderes tornou-se muito mais importante.
Sob que critérios os líderes e os candidatos a tal são ou devem ser avaliados?
A força física, a velocidade, o tamanho do bigode e a cor da barba não farão parte concerteza dos critérios importantes.
No ponto de vista do cilício, as diferenças residem acima de tudo nas atitudes e nas convicções.
Hoje, no início do sec XXI, como devem ser avaliados JS e AJ, após terem rasgado a camisola que envergavam há décadas? Particularmente JS, era a pessoa escolhida pelo seu ex-partido para o representar no executivo camarário.
Jose Ferreira já foi, de quando em vez, alvo de algumas críticas e reparos por parte do cilício que também considera aceitável que nem todas as opções tomadas à frente dos destinos de um Municipio tenham sido óptimas. É normal que aqui e ali apareçam decisões merecedoras de discórdia.
Mas em relação à avaliação do que foi feito na última década e meia, todas as criticas que se façam atingem ambas a partes. O cilício não vai por aí.
Neste momento conta avaliar a deslealdade de JS relativamente a JF e aos seus pares do partido que lhe assegurou o ordenado durante tantos anos.
No próximo dia 9 de Outubro todos seremos chamados a avaliar os candidatos a líderes, as suas atitudes e convicções.
O cilicio já decidiu de que lado está.

terça-feira, agosto 23, 2005

Eleições Autárquicas # 6

Albino Januário é o n.º 2 da lista do PS à Câmara. Tal como o cabeça de Lista, João Salgueiro, é (era) um histórico militante do PSD.

AJ foi um membro proeminente da facção derrotada no conflito ocorrido em 2002 nos Bombeiros de Porto de Mós.

Nessa altura JoséFerreira tomou uma posição, arrumou a casa e devolveu a operacionalidade à corporação.

AJ e os seus correlegionários ignorando a questão substancial, a operacionalidade dos Bombeiros, querem fazer um ajuste de contas. A sua derrota pessoal nesta questão tê-lo-á levado a saltar a barricada e a querer enfrentar José Ferreira.

Será que o eleitorado do concelho avalizará a sua desforra pessoal?

João Salgueiro não podia ter um vice-cabeça de lista mais sintonizado com as suas motivações.

Além da desforra das suas derrotas pessoais, o que os move? Que obras e projectos?

João Salgueiro, como foi dito n'O Portomosense por alguém que o conhece bem, nunca discordou com as decisões do executivo e conta-se pelos dedos de uma mão amputada as propostas que apresentou. O que é que agora se propõe fazer de diferente?

JS e AJ, oriundos do PSD têm de justificar a sua candidatura fazendo uma campanha pela negativa. O eleitorado não gosta disso. E também não gosta de vira-casacas.

Analisando friamente, o que se tem passado com a candidatura do PS à Câmara de Porto de Mós, tem de se concluir que encerra tudo o que não deve acontecer numa democracia madura.

O que está em causa nestas Autárquicas ultrapassa a cor dos partidos, as obras prometidas e até a simpatia pessoal pelos candidatos. Nunca como agora os valores que devem regular o serviço público foram postos em causa.

Cabe ao eleitorado avaliar as atitudes e as convicções dos candidatos.

Lendo O Portomosense de há uns meses, o cilício não pode deixar de recomendar Fosglutem em doses generosas a AJ...


“(...)
As listas são, todos sabemos, “fabricadas” seguindo (...) a pura lógica do voto, da oportunidade e da conveniência imediatas. A sua confecção constitui a altura certa para o ajuste de contas com o partido, com o amigo e com o inimigo, da lembrança para o padrinho e para o afilhado. As escolhas são feitas segundo o grau de obediência do candidato, em detrimento do mérito, da credibilidade e da competência comprovada.
Esta situação, tantas vezes repetida, faz afastar da política, obviamente, os mais aptos profissionalmente, os mais qualificados e sérios, os mais credíveis. Estes tem por natureza, uma escassa apetência para pactuar com a incompetência dos outros.
Aumenta assim, e entretanto, a abstenção ao voto e o desinteresse pela causa pública.
(...)”

Albino Januário, in O Portomosense, 10 de Fevereiro de 2005