quinta-feira, julho 28, 2005

Não ao congelamento das promoções automáticas!!!

O cilício também está contra o congelamento das carreiras da função pública (leia-se promoções automáticas).

As promoções automáticas não deviam ser congeladas, mas sim extintas.

Com o simples congelamento, mais tardar lá para 2008/2009, em vésperas das legislativas (se o governo lá chegar) é normal que vão ao micro-ondas no programa de descongelamento e tudo regresse ao normal...


O cilício questiona-se: quantas vezes terá sido promovido por antiguidade o Sr. Joaquim Franco? E por mérito?

quarta-feira, julho 27, 2005

"O fim da democracia" ?

Para ler até ao fim e arrepiar de vergonha...

domingo, julho 24, 2005

“A opinião pública muçulmana rejeita a democracia?

Cerca de dois terços das 192 países do planeta são democracias electivas mas, dos 47 países de maioria muçulmana, só um quarto o são. Nenhum Estado do mundo árabe, com a particular excepção do Líbano, pertence a esta categoria. Porquê? Umas das respostas defende que estão ausentes do mundo muçulmano os valores fundamentais que estiveram na origem da democracia nas civilizações ocidentais. Trata-se duma teoria sem qualquer argumentação empírica, pois até ao presente pouco sabíamos sobre os valores das opiniões públicas muçulmanas. Ora, duas recentes séries de sondagens realizadas pela World Values Survey, em 1995-1996 e 2002-2003, em cinco países árabes (Argélia, Egipto, Jordânia, Arábia Saudita e Marrocos) e nove países muçulmanos (Albânia, Azerbaijão, Bangladesh, Bósnia, Indonésia, Irão, Quirguizistão, Paquistão e Turquia) vieram fornecer indicadores interessantes.

Apesar de se afirmar a existência de um ‘choque de civilizações’ entre o Ocidente e o Oriente, estes inquéritos revelam que a democracia tem uma imagem extremamente positiva em todo o mundo, e nomeadamente nos países muçulmanos. A afirmação “a democracia pode ter muitos problemas, mas é a melhor forma de governo” recolhe, assim, uma forte concordância de 61 por cento das pessoas questionadas nos países árabes, contra 52 por cento em dezasseis países da Europa Ocidental e 38 por cento nos EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Se juntarmos os que concordam e os que concordam muito com esta afirmação, as maiorias são esmagadoras.

Para os outros países muçulmanos a aceitação (forte ou moderada) da democracia é de 69 por cento no Irão, de 71 por cento na Indonésia, de 88 por cento na Turquia, de 92 por cento na Bósnia e de 95 por cento na Albânia.”

Le Monde diplomatique, Julho 2005

quarta-feira, julho 13, 2005

Eleições Autárquicas # 5

Incomodado com tanta indecisão por parte da concelhia do PSD, o PS de maneira a não ficar para trás, deu o dito por não dito, retirou a confiança política a Vitor Louro e agora lembrou-se que o seu candidato passou a ser João Salgueiro (JS), ex-vereador eleito pelo PSD.
Será que esta decisão é consentânea com a vontade das bases do PS local?
Será que as críticas e reparos do PS ao executivo camarário eram dirigidas a todo o executivo à excepção de JS. Se o eram isso nunca foi dito, se o incluíam então é porque acreditam que a mesma pessoa agora será diferente.
Será que a concelhia do PS não reparou na nulidade que é JS?
Será que o PS não equacionou a provável hipótese de o PSD de José Ferreira sair vencedor, ficando JS com o cargo de vereador não havendo por isso alteração da equipa de vereadores? É caricato que votar PS para a Câmara vai corresponder a votar na manutenção da equipa do mandato anterior...
Será que o PS nunca reparou que José Ferreira 'transportava' JS no bolso mais pequeno do casaco, tirando-o apenas para as operações de populismo, em que se sente menos à vontade?
Ou será que o cilício está enganado, e JS é realmente um ponta de lança posto a jogar à defesa...e irá conseguir uma vitória eleitoral arrebatadora?
Será que na próxima edição d'O Portomosense irá sair o fasciculo 3 da evolução do conhecimento científico assinado por JS?
Será que o eleitorado PS não irá reparar que esta mudança de cor política não será sinónimo de um desmesurado apego ao tacho? Fazendo parte das listas tradicionalmente mais votadas, JS não aceitando a hipótese de ser afastado, ponderou num primeiro momento avançar como independente e depois com receio de não ser capaz, 'vendeu a alma ao diabo' só para continuar na política?
A'O Portomosense JS disse:“Fui procurado por um grupo de cidadãos portomosenses que me pressionaram fortemente para avançar. Pensei que tivessem um projecto para Porto de Mós. Afinal só pretendiam um lugar na Câmara, porque a partir do momento que tiveram a hipótese de serem incluídos na lista do PSD abandonaram o projecto.
Do alto da sua inquestionável lealdade e abnegação pela coisa pública, JS ficou incomodado com o(a) seu(ua) colega que lhe retirou o apoio enquanto independente, só porque afinal foi colocado na lista do PSD e assim assegurou a sua manutenção enquanto candidato a vereador. Vamos esperar pelas listas definitivas e ver a quem se está a referir.
E ainda acrescenta: “Há gente na política que deveria ter um comportamento sério e correcto e que neste caso não teve. Razão que me leva a abandonar a vida autárquica.
Outro parágrafo carregadinho de moralidade e de princípios sólidos. Entre pessoas que só para pertencerem a uma lista de candidatos são capazes de tudo, até de virar as costas ao partido e depois regressar só porque lhe asseguraram um lugar num mini-concurso a vereador... entre pessoas assim ele não se sente bem e prefere abandonar a vida autárquica. O cilício confessa que quase se emocionou perante tal rectidão e decência.
Afinal JS voltou a mudar de opinião e não só, não irá abandonar a vida autárquica como é o candidato à Câmara pelo PS...
Será que o eleitorado PS irá aceitar dar boleia ao ego de JS e a tudo o que representa enquanto político?
Só no serão das eleições estas perguntas terão resposta...

quinta-feira, julho 07, 2005

Reforma de Mentalidades

“Nos dias de hoje é politicamente correcto por tudo e por nada invocar a necessidade de fazer reformas!
Há problemas na Justiça, reforme-se a Justiça!
Há problemas na Saúde, reforme-se a Saúde!
Há problemas na Educação, reforme-se a Educação!
(...)
Porque não fazer a ‘Reforma das Mentalidades’?
(...)”

Joaquim Franco, in O Portomosense

O Sr. Joaquim Franco é funcionário da Repartição de Finanças de Porto de Mós.
Há algumas semanas, o cilício assistiu a um episódio caricato nesta repartição:
À pergunta de quanto tempo ia demorar a tratar de um assunto, JF respondeu com o seu habitual e já lendário modo seco e cru: “Seis meses”. O utente terá pensado – ‘estes tipos são divertidos...’ e sorriu.
JF, não achou piada. Ali o riso é interdito. Ali espera-se e paga-se.
‘Está a rir? Tenho aqui estes processos todos à sua frente’, disse levantando uma pilha com mais de 50 cm de espessura. ‘E não demoram mais de seis meses porque fico aqui até tarde!’
O utente engoliu em seco, guardou o talão e continua a olhar pacientemente para o calendário à espera de ficar meio ano mais velho para ver o assunto resolvido.
A qualidade do atendimento ao público nas repartições públicas, conservatórias, (os notários foram privatizados, não suficientemente, mas já é um passo), hospitais, esquadras, etc., depende da disposição e da boa educação do funcionário. E raramente, quando acontece deixa o utente com uma sensação de estranheza...
Há uns anos na banca acontecia o mesmo. Ir ao banco era como ir a qualquer repartição pública. Tinha de se estar pronto para tudo. Depois da privatização desse sector, com a concorrência, com as práticas modernas de gestão, com o estabelecimento de objectivos, o cenário foi completamente alterado e quem ganha é o utente/cliente. A banca evoluiu, melhorou a qualidade do seu serviço, é rentável e em contrapartida é acusada de criar embustes... mas isso já é outra guerra...
Os serviços públicos, representados e defendidos pelos sindicatos, são contra as avaliações e a favor das promoções automáticas. O marasmo do mau trato, a falta de empatia e o ‘explica-te como deve ser se não envergonho-te a cara à frente de toda a gente’, continua e não pode, nem deve, ser interrompido.
Imagine-se, já nem digo um Jardim Gonçalves ou um Belmiro de Azevedo, mas um gestor moderno a implementar uma ‘Reforma de Mentalidades’ nos serviços públicos...
Provavelmente os tais processos dos seis meses estavam despachados numa semana, e os processos dos três meses (devem existir decerto) estavam prontos em três dias. Os modos de JF passariam a ser mais polidos e sempre que um utente entrasse na Repartição e dissesse ‘Bom Dia’ ele (e os colegas) responderia(m). E quando esse mesmo utente não soubesse explicar-se, ele colocar-lhe-ia diversas perguntas até compreender a situação...
Será que para melhorar a qualidade do serviço público é necessário reformar as instituições ou apenas as mentalidades?

quarta-feira, julho 06, 2005

Eleições Autárquicas # 4

"A triste dança dos ‘tachos’

Porto de Mós tem vivido nas últimas semanas um ambiente de ‘efervescência’ invulgar.
A ‘dança dos tachos e das panelas’ (como já alguém lhe chamou) está na origem, ao que tudo indica, de uma luta ‘fratricida’ como não há memória na nossa terra, e que tem envolvido os eleitos do PSD na Câmara, e a estrutura local do partido.
Perante tudo aquilo que sabemos desta luta desenfreada pela obtenção ou manutenção de um simples lugar à mesa do poder, somos obrigados a subscrever o que muitos cidadãos anónimos dizem sobre o assunto: ‘É uma pouca vergonha’.
De facto, toda esta luta pelo poder, que teve maior ênfase a partir do momento em que se soube que havia um grupo de portomosenses interessados em fazer uma lista de independentes para concorrer à Câmara (entre eles vereadores eleitos pelo PSD que souberam na ‘praça pública’ que não voltariam a ser convidados a integrar a lista do PSD às próximas autárquicas), só vem dar razão aos muitos que desconfiam das verdadeiras intenções dos políticos ou que simplesmente, deixaram de acreditar na política. Afinal, tudo parece resumir-se a um ‘tacho’. Quem o tem não quer abrir mão dele. Quem não o tem, faz tudo para o obter.
A alegada vontade de contribuir para o desenvolvimento do país ou de determinado concelho, muitas vezes, não passa de uma desculpa para se atingir coisas bem mais comezinhas e humanas como o poder, a projecção pessoal, além das benesses a que este tipo de cargo, habitualmente, dá direito.
O caso que agora está a deixar os portomosenses estupefactos, parece ter muito disso, o que não quer dizer que todos os personagens desta triste ‘estória’ tenham as mesmas motivações. Contudo, o facto dos seus nomes surgirem relacionados com a trapalhada, é o suficiente para afectar negativamente a sua imagem pública.
Quer queiram, quer não, para o vulgar cidadão passaram a estar incluídos no rol dos ‘todos iguais’, ou seja, daqueles que fazem tudo para chegar ou para se manter no poder...
Sabemos que a política nacional está repleta de jogos de bastidores, de pequenas chantagens, vinganças e traições ‘entre pares’ mas ver surgir na nossa terra cenários com algumas semelhanças a esses, era algo que ninguém esperava nesta altura. No entanto, mais importante que isso, são as consequências deste ambiente de guerrilha que durante algum tempo se fez crer que existiria, apenas, nas ‘mentes preversas’ dos jornalistas...
As consequências estão à vista de todos. O grupo de elementos dos executivo camarário que até aqui aparecia em público, transmitindo uma imagem de coesão (apesar de serem conhecidas as divergências entre alguns dos seus elementos), está fraccionado, existindo, agora, não um grupo, mas vários grupinhos com mais ou menos adeptos. Nesta circunstância, como poderão os munícipes continuar a acreditar naquela ‘equipa’? E daqui para a frente, até Outubro, como irão eles próprios acreditar uns nos outros e trabalhar em conjunto, em prol do concelho, sabendo o que sabem e aquilo que cada um pensa do colega do lado ou da pessoa que está à sua frente?
Esta luta atingiu um nível impensável e apesar de, aparentemente, tudo estar de volta à normalidade, nada será como dantes, estando este grupo de trabalho no nosso entender ‘ferido de morte’, ou pelo menos gravemente ferido...
Uma boa dose de sensibilidade e bom-senso e uma ambição à medida do curriculum de cada um dos intervenientes teria sido , talvez, suficiente para evitar toda esta confusão... a bem do concelho e de um executivo condenado a governar ainda alguns meses..."

Parece um texto do cílicio, mas não é... trata-se do editorial d'O Portomosense de 30 de Junho de 2005.

Este texto, de grande nível, devia ser ampliado e afixado na sede da concelhia do PSD.

O executivo com uma mão assina os cheques que vão assegurando a manutenção d’O Portomosense e com a outra abana as orelhas em brasa...
Não se podem queixar porque forem eles que atearam a fogueira.