sexta-feira, dezembro 31, 2004

João Neto n'O Portomosense

"Porto de Mós não é pensado a longo prazo"

Ao ouvir esta frase vinda de um vereador, ficamos logo com a ideia: Só pode ser da oposição. Mas não!!
João Neto é um vereador do PSD, ou seja apoiante do Presidente da Câmara. E que apoio ele dá ao seu Presidente!!

Tendo em conta que João Neto faz parte do executivo camarário há mais de três anos ficamos com a dúvida se:

1ª hipótese – Só agora se apercebeu que o Município é gerido numa visão do dia-a-dia, fazendo ele próprio parte de uma equipa de competências limitadas (certamente se se tivesse apercebido há mais tempo, já se teria demarcado desta demitindo-se);
2ª hipótese – Sensível à opinião pública, que considera que José Ferreira, o actual Presidente de Câmara, está há demasiado tempo no poder, coloca-se em ‘bicos de pés’ e lança-se à corrida da sucessão. Esta corrida está a aquecer. Ele sabe que o próprio PSD questiona se José Ferreira será o melhor candidato. Não com receio do PS, que também não faz conta de ganhar esta Câmara, mas para renovar as ideias e dinamizar o Concelho que está a ficar atrás dos seus vizinhos, muito mais dinâmicos. João Neto chega mesmo a assumir na entrevista, que a sua candidatura à Câmara é uma possibilidade;
3ª hipótese – Consciente da sua grande popularidade junto dos munícipes, critica a gestão PSD e pisca o olho ao PS, apresentando-se como um possível cabeça de lista.
De facto sendo conhecedor do dia-a-dia da gestão PSD, e considerando a dificuldade que o PS tem tido desde sempre em apresentar candidatos para o mais alto cargo da Autarquia, poderia tornar-se num candidato de peso. Ganhar esta Câmara para o PS, seria histórico e certamente lançá-lo-ia numa carreira política;
4ª hipótese – Nessa mesma entrevista assume literalmente que por desleixe, a Câmara Municipal de Porto de Mós foi a única da região a não subscrever um Protocolo de apoio aos deficientes. Será que ele, pretende apenas abalar a credibilidade de José Ferreira e estará a lançar outro candidato, talvez vindo de uma presidência de Junta!!!

Aguardamos desenvolvimentos. A pré-campanha autárquica promete...

quinta-feira, dezembro 30, 2004

REGIÃO DE LEIRIA - Pergunta da Semana

A Leirisport está a gerir bem o estádio municipal de Leiria?
- Qual é a média de espectadores por Jogo?
- Quanto é que custa a sua manutenção por ano?
- Qual é a "Receita" anual?
- Quanto é que custou o Estádio?
- Quando é que a área de escritórios está terminada?
- Qual é a Taxa de Ocupação dos espaços comercializáveis? (salas para eventos, restaurantes, etc...)
- Quantos funcionários tem a Leirisport?
- Quanto é que custam?
Questões que podem ajudar a responder.

Mas será que a questão não é outra?
- O Investimento no Estádio Municipal de Leiria é Rentável?
Esta questão é mais simples de responder:
- Não é, nem nunca será!!!

segunda-feira, dezembro 27, 2004

O Pirata do Elba - Histórias de Sempre

"Há uma rua de Hamburgo com o nome do burgomestre Simon von Utrecht, mas quase nenhum hamburgês sabe quem foi tal sujeito, nem por que é que merece ser recordado. A única coisa que sabem dele é que ordenou a execução de um homem que vive nas memórias dos irreverentes, em centenas de canções e narrativas que se contam na costa do Mar do Norte ou nos cálidos cafés de Weddel ou Blankenesse.
O homem – que esse sim, é recordado – chamou-se Klaus Störtebecker e era um pirata. O Pirata do Elba.
Na ano de 1390, a Liga Hanseática impunha a ferro e fogo o seu domínio mercantil sobre o Atlântico Norte e o Mar Báltico. A Liga estabelecia impostos absurdos, fixava preços arbitrários aos artesãos e agricultores, e nos seus mil barcos os capitães hanseáticos utilizavam a força para castigar qualquer falta.
Mas, e como sempre aconteceu na História, um grupo de marítimos liderados por Klaus Störtebecker, um gigantão de rosto feroz e barba vermelha, disse que não, que bastava de impostos chicote e corda , depois de um motim, fizeram-se ao mar com um barco que começou a navegar sob a bandeira da liberdade.
Em 1392, na ilha de Gotland, os homens de Störtebecker ditaram a sua declaração de princípios a um sacerdote, que traduziu para latim as palavras pronunciadas em todos os dialectos que se falavam no Norte da Europa. Diziam elas que os homens são escolhidos por Deus para praticar a felicidade e que só a felicidade concedia a necessária vitalidade para suportar qualquer penúria.
A partir daquele momento começaram a chamar-se “Die Vitalienbrüder”, os Irmãos Vitais, e foram o flagelo da Liga Hanseática.
Abordavam os barcos carregados de bens e, interrogavam os marinheiros acerca dos castigos sofridos e muitos oficiais e capitães sentiram nas suas carnes os arranhões do gato de sete caudas ou o ar mesquinho que a forca permite.
O produto do saque era repartido, metade pela confraria e a outra metade pelas populações ribeirinhas do Elba ou das costas do Báltico. A chegada de Störtebecker e dos Vitalienbrüder era esperada como uma bênção pelos pobres de então.
Como era de esperar, a Liga Hanseática fixou o preço à cabeça do pirata, e dúzias de capitães alemães, suecos e dinamarqueses lançaram-se na sua captura.
Não depararam com uma tarefa fácil, porque Klaus Störtebecker conhecia todos os segredos do Elba e resistiu até já correr o ano de 1400.
Numa manhã de Primavera desse ano, toda a Hamburgo marcou encontro junto da “Teufelbrücke”, a Ponte do Diabo, para presenciar a execução do pirata e de uma centena dos seus camaradas.
Simon von Utrecht, o burgomestre, pronunciou a sentença com voz firme: morte por decapitação. O verdugo fez reluzir a espada e esperou a primeira vítima, que devia ser um marinheiro raso, visto que parte do castigo imposto a Störtebecker era assistir à morte dos seu homens.
Então o pirata de barba vermelha falou:
- Quero ser o primeiro, e mais: proponho-lhe um acordo para melhorar o espectáculo, senhor burgomestre.
- Fala – ordenou Simon von Utrecht.
- Quero ser o primeiro. Quero ser decapitado de pé, e quero que, por cada passo que de depois de a minha cabeça ter tocado no solo, salve um dos meus homens.
Viva o Pirata do Elba!, gritou alguém do meio da multidão , e o burgomestre, certo de que era tudo fanfarronice aceitou.
A ciciante folha de aço cortou o ar da manhã, entrou pela nuca e saiu pelo queixo do pirata. A cabeça caiu sobe as pranchas da ponte e, perante a estupefacção de todos, o decapitado deu doze passos antes de cair redondo.
Aconteceu isto numa manhã de Primavera do ano de 1400. Quase seiscentos anos mais tarde, na primeira semana de Julho deste ano, a polícia de Hamburgo deteve vários rapazes que tentavam pela centésima vez alterar o nome de uma rua. Lavavam uma compridas fitas adesivas azuis com letras brancas que diziam “Rua Klaus Störtebecker” e punham-nas a cobrir as placas metálicas com o nome do nada célebre burgomestre von Utrecht. Os meus filhos gostam desta história, e espero ainda contá-la um dia um dia aos meus netos, porque se é certo que a vida é breve e frágil, também é verdade que a dignidade e a coragem lhe conferem a vitalidade que nos faz suportar os seus enganos e desditas."
in Rosas de Atacama, de Luis Sepulveda

domingo, dezembro 26, 2004

Ainda o caso Buttiglione - leia até ao fim

Excerto da entrevista deste 'quase' comissário da primeira versão da equipa de Durão Barroso:

Buitenweg: “Senhor Buttiglione: algumas das suas opiniões estão em directa contradição com a lei europeia. Por exemplo: a discriminação com base na orientação sexual é interdita e o Senhor disse que a homossexualidade é um pecado e é sinal de desordem moral. Gostaria de saber directamente de si, agora, como é que nós poderemos esperar que o Senhor combata por esse direito e se poderia dar-nos um exemplo de como espera alcançar o seu objectivo.”

Buttiglione: “Posso recordar um filósofo, já antigo, mas talvez não completamente esquecido de Könisberg – um tal de Emmanuel Kant -, que fez uma clara distinção entre moralidade e direito. Muitas coisas, que podem ser consideradas imorais, não devem ser proibidas. Quando fazemos política, não renunciamos ao direito de ter convicções e eu posso pensar que a homossexualidade é um pecado e isso não ter efeito na política, o que só sucederia se eu dissesse que a homossexualidade é um crime. Da mesma maneira, a Senhora á livre de pensar que eu sou um pecador em muitas coisas da vida, e isso não tem nenhum efeito nas nossas relações como cidadãos.
Direi por isso que considero uma abordagem inadequada do problema pretender que toda a gente concorde em questões de moralidade. (...) Nós podemos construir uma comunidade de cidadãos mesmo que em algumas questões de moralidade tenhamos opiniões diferentes. A questão é, isso sim, da não discriminação. O Estado não tem o direito de meter o nariz nessas questões de moralidade e ninguém poder ser discriminado com base na sua orientação sexual ou qualquer orientação de género. É isto que está na Carta dos Direito Fundamentais, na Constituição, e eu tenho defendido esta Constituição.”
Os jornalistas não alteram a realidade, mas lá que a resposta do Senhor Buttiglione nunca foi referida em nenhum telejornal, isso não foi."

Digo eu: Será que a cobertura jornalística deste facto político (politizado) deu à opinião pública a correcta imagem do Senhor Buttiglione?